3ª Boletina

27 mar

3ª Boletina EFAlac

Primeiro em língua brasileira

 

  • Carta da Comissão Organizadora de Porto Alegre
  • Fechamento de inscrições
  • Conta do Banco
  • Pré-EFAlac em Porto Alegre

Carta de comissão organizadora do EFAlac-POA

 

 Neste texto queremos expressar nossa posição, construída a partir do debate das  nossas idéias, no que se refere à participação de pessoas trans feministas autônomas e radicais e dos homens feministas.

A corrente do feminismo autônomo surge reconhecendo a pluralidade dos feminismos, afirmando que essa luta não se trata de uma coisa única e imutável. Vem a explicitar diferenças, para que possamos nos autodenominar e, sobretudo, apostar na construção de um espaço feminista radikal. A autonomia, para nós, é uma tomada de posição  frente a essa sociedade patriarcal expressada, entre outras, por  governos e governantes que não nos representam. É uma forma de dizer NÃO a todos os tipos de discriminação e de subordinação. Esse movimento nos leva a questionar cotidianamente as incoerências e armadilhas  que tentam se instalar dentro do próprio movimento. A autonomia é uma luta  diferente daquela que propõem as financiadoras, os governos e as ONGs, que resulta, por si só no caminhar em direção à uma nova sociedade, mais libertária e mais horizontal.

A autonomia é um processo permanente de construção e descontrução, de transformação e independência. Lutamos pela autonomia de nossos corpos, mentes, e ações tanto individual quanto coletivamente. Acreditamos na luta pela libertação das mulheres e lésbikas, em todos os contextos sociais, políticos e culturais.

Faz tempo que está em debate a participação de pessoas trans  nos encontros feministas. Anos atrás, pontualmente no EFLAC – Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho do 2005, – SP-Brasil, aconteceu uma situação muito tensa e dolorosa. Em lugar de se fazer uma discussão profunda, de entender e aprofundar os conceitos em jogo, e depois  decidir por consenso – um dos princípios básicos do feminismo- acabou se levando esse tema para votação, como se fosse um jogo de futebol. Sabemos que existiam (e existem) jogos de poder muito grandes e interesses enormes das grandes financiadoras. As feministas autônomas entendíamos que as pessoas trans não estavam sendo o sujeito do debate, mas sim o objeto. A aprovação de sua entrada simplesmente pelo processo de votação impediu uma compreensão de um assunto importantíssimos para nós feministas. É o caso da discussão sobre o papel da divisão rígida homem-mulher, determinada biologicamente, no processo de transformação radikal da sociedade do capital.

Na ocasião, não quisemos  ser cúmplices desse jogo sujo de decidir sem discutir, de deixar que as financiadoras pautem nossa luta e passem por cima de nossa ideologia.

Somos autônomas de governos, de estados, de partidos políticos e de práticas paternalistas. Entendemos o Feminismo como um movimento social transformador, não concordamos em nos submeter às ordens de quem está sentada no trono da vez. Desde e antes dessa votação fatídica fomos chamadas de transfóbicas, de fundamentalistas e de n coisas mais.  O velho jogo de colocar rótulos para anular os conflitos.

O tempo foi passando, as ameaças foram se acalmando e como a nossa rebeldia não é adolescente, mas bem fundamentada, fomos nos dando o espaço necessário para entender e conhecer os “novos sujeitos do feminismo”. Assim, muitas de nós acabamos concordando que era necessário partilharmos juntxs esses espaços de debate e construção feminista.

Mediante esta carta queremos deixar nítido que somos favoráveis a que todas as pessoas que transgridem os seus gêneros e sexos hierarquicamente designados pelo sistema médico hegemônico e pela sociedade heteropatriarcal capitalista, que necessita o tempo todo nos colocar nos seus quadradinhos opressores, estejam/estejamos presentes no EFAlac.  Como feministas, como rebeldes, como bruxas ativas e denunciantes desse sistema, queremos abraçar ativamente o nosso projeto politiko de feminismo autônomo trans-formador em todos nossos corpos rebeldes e revoltados.

Temos em vista que a identidade de gênero é uma construção pessoal (identificar-se), e polítika. Nos negamos a reproduzir qualquer tipo de preconceito para com nossxs companheirxs trans. Por essas razões concordamos com a participação de pessoas trans identificadas com o feminismo autônomo.

Porém, aceitar a presença de homens, mesmo que feministas, nesse encontro seria uma traição a uma das grandes vitórias das mulheres: a de promover reuniões apenas entre nós. Precisamos considerar aí o que é coletivo e o que é individual. Individualmente muitas de nós conseguem fazer um debate igualitário com homens que contestam sua própria construção social. Homens muitas vezes ditos feministas. Porém, e isso não é uma atitude protetora, maternal, mas uma consciência social. Inúmeras mulheres ainda se sentem bloqueadas na frente de homens. Muitas mulheres de Porto Alegre terão a oportunidade única de debater entre feministas radikais, e como explicar aos seus companheiros que só podem entrar “determinados homens”. Aqueles companheiros que saem com camisetas feministas no dia 8 de março e que nas reuniões ativistas colocam os pés pra cima, para pensar na libertação da humanidade enquanto as mulheres cozinham e lavam a louça?

Queremos vivenciar a experiência  transformadora  de feminismo radikal, apenas entre mulheres e lésbikas (biológica, social ou culturalmente construidas), que possa balançar as bases do sistema patriarcal capitalista. O objetivo do encontro é nos fortalecer e avançar nas práticas e nas ações.

Isso é uma atitude fechada? E por que os “homens feministas” não podem aceitar, se assim o fossem, seriam os primeiros a respeitar esses espaços e esses momentos.

Para a Marcha de encerramento do EFAlac, que é também o 1º de maio, propomos que a participação de homens seja uma decisão acordada de forma coletiva no penúltimo dia do encontro, entre todas as participantes e, tomando em conta o processo de descolonização de mentes, corpos e ações.

Assinamos esta carta em ordem alfabética:

Andrea Beltramo

Clarisse Castilhos

Cristina Bergalo

Judit Herrera

Katiane Machado da Silva

marian pessah

Nina de Castro

Rosa Blanca

Rosemar Silva da Silva

  • Fechamento de inscrições

Estimadas amigas e companheiras: como bem sabem um encontro feminista autônomo, é construído a pulmão e por pessoas ativistas, isso quer dizer que não somos especialistas, é por isso que necessitamos saber quantas seremos para poder fazer o melhor. Então, estaremos fechando as inscrições para Hospedagem solidária e alimentação na quarta-feira 11 de abril. Isso quer dizer que quem chegar ao encontro sem inscrição feita, poderá participar, mas não garantimos alimentação, nem hospedagem solidária.

ver ficha de inscrição

  • Conta do Banco

Temos conta bancária! Para todxs que quiserem colaborar para que  o nosso sonho, utopia,  materialize em  REALIDADE o nosso encontro:
Para depósitos dentro do Brasil:

Banco do Brasil

Agência: 1899-6, Conta Corrente nº: 46.358-2 Variação 01

Qualquer dúvida, por favor, entra em contato conosco: feministasautonomas@yahoo.com.br

Ou pelo fone (51) 9239-1891

  • Pré-EFAlac em Porto Alegre

SIM!! Depois daquele emocionante Pré-EFAlac que tivemos no sábado 25, vamos fazer mais uma atividade de aquecimento antes do nosso encontro: II Pré-EFAlac. Depois disso…. o Encontro!

Todas convidadíssimas a transitar do pessoal ao politiko! Nesse sábado 31 de março, estaremos nos reunindo novamente para mais uma aventura feminista, só entre mulheres e lésbikas. Será no Sindicato dos Petroleiros, na rua Lima e Silva, 818 Cidade Baixa as 16:00 horas. A partir das 20:00 horas rolará um sarau poético musical, festeré  e outras cositas más.

Não perca que será o último, não haverá segundas oportunidades para outro Pré-EFAlac.

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